O Brasil, frequentemente associado a uma cultura de sensualidade e liberdade sexual, ainda enfrenta barreiras culturais significativas que limitam a plena expressão da sexualidade. Embora o mercado erótico esteja em ascensão e temas como prazer e autoconhecimento sejam cada vez mais debatidos, a realidade é que a sociedade brasileira ainda carrega tabus profundamente enraizados, o que resulta em uma liberdade sexual ilusória.
Nos últimos anos, o setor de produtos e serviços eróticos tem crescido exponencialmente no Brasil. De acordo com a ABEME (Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual), o segmento faturou mais de R$ 2 bilhões em 2023, impulsionado pelo e-commerce e pelo consumo discreto via plataformas digitais.
No entanto, esse crescimento não significa, necessariamente, uma sociedade mais aberta ou consciente sobre sexualidade. Muitos consumidores ainda enfrentam culpa e vergonha ao adquirir produtos eróticos, e o diálogo sobre prazer sexual continua restrito a nichos específicos, muitas vezes distantes do cotidiano da maioria dos brasileiros.
O Brasil vende uma imagem de liberdade sexual, mas a realidade é bem diferente. Enquanto o carnaval e a mídia exaltam corpos e sensualidade, questões como educação sexual, prazer feminino e diversidade ainda enfrentam resistência. Um estudo da Durex Global Sex Survey revelou que 55% dos brasileiros não estão satisfeitos com sua vida sexual, indicando que a liberdade sexual propagada não se traduz em satisfação real.
Ademais, a pornografia é um dos mercados mais consumidos no país, ao mesmo tempo em que o debate sobre sexologia ainda é considerado polêmico. A educação sexual, essencial para a construção de uma sociedade mais consciente, ainda encontra barreiras, sendo frequentemente confundida com "incentivo" à erotização precoce.
Apesar do feminismo ter avançado em diversas frentes, as mulheres ainda sofrem com a desigualdade de gênero no que diz respeito à sua liberdade sexual. Pesquisa do Datafolha apontou que 77% das brasileiras já sentiram vergonha ou medo de expressar seus desejos por receio do julgamento social.
Isso reflete uma contradição: enquanto há maior acesso a informações sobre prazer e autonomia, a pressão cultural para que as mulheres sejam "recatadas" ainda persiste. O orgasmo feminino, por exemplo, continua sendo um tabu, com dados da USP mostrando que 55% das mulheres fingem orgasmos para agradar seus parceiros.
Para quebrar esses paradigmas, é fundamental investir em educação sexual de qualidade, não apenas nas escolas, mas também em espaços adultos. Eventos como a Erotika Town surgem como uma plataforma inovadora para discutir abertamente temas que vão além do prazer, englobando bem-estar, autoconhecimento e inclusão.
A verdadeira liberdade sexual vai além do consumo de produtos eróticos ou do discurso midiático. Ela está na possibilidade de explorar e viver a sexualidade sem culpa, sem repressão e com pleno conhecimento sobre o próprio corpo e desejos.
Beijos mágicos,
Fada
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